"Quanto mais pesado o fardo, mais próxima da terra está nossa vida, mais ela é real e verdadeira. Por outro lado, a ausência total de fardo faz com que o ser humano se torne mais leve que o ar, com que ele voe, se distancie da terra, do ser terrestre, faz com que ele se torne semi-real, que seus movimentos sejam tão livres quanto insignificantes" (KUNDERA, p. 11).
Este trecho de A insustentável leveza do ser, de Milan Kundera, é um dos que mais me intriga em tal obra e eu o considero muito interessante na medida em que ele trata da dicotomia peso X leveza, acabando por atribuir valor 'positivo' ao peso. Todos temos "fardos" que incomodam, sufocam, no entanto, a presença desses fardos torna a vida real, humana, cheia de erros e acertos. Há quem busque a perfeição e tente livrar-se de todo e qualquer estigma social, a fim de tornar sua vida mais leve, a fim de refletir-se aceitável aos olhos do outro. O fardo faz parte da vida íntegra, fugir dele pode significar anular a vida ou aspectos magníficos dela; o fardo em si não representa um problema, mas a dificuldade (e o medo) de lidar com ele. A vida "perfeita", no sentido de enquadramento aos padrões político-social-religioso-moral-patriarcal-etc-etc, não é interessante, até porque a perfeição tem um quê acentuado de artificialidade.
Este trecho de A insustentável leveza do ser, de Milan Kundera, é um dos que mais me intriga em tal obra e eu o considero muito interessante na medida em que ele trata da dicotomia peso X leveza, acabando por atribuir valor 'positivo' ao peso. Todos temos "fardos" que incomodam, sufocam, no entanto, a presença desses fardos torna a vida real, humana, cheia de erros e acertos. Há quem busque a perfeição e tente livrar-se de todo e qualquer estigma social, a fim de tornar sua vida mais leve, a fim de refletir-se aceitável aos olhos do outro. O fardo faz parte da vida íntegra, fugir dele pode significar anular a vida ou aspectos magníficos dela; o fardo em si não representa um problema, mas a dificuldade (e o medo) de lidar com ele. A vida "perfeita", no sentido de enquadramento aos padrões político-social-religioso-moral-patriarcal-etc-etc, não é interessante, até porque a perfeição tem um quê acentuado de artificialidade.
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