terça-feira, 2 de setembro de 2008

Sem medo, mas com escrúpulos.

Tenho a estranha tendência a superficializar os sentimentos, quando algo grave acontece na minha vida. É a forma (in)consciente de sublimar o problema (note que falo em “sublimar” no sentido físico e não metafísico), isto é, transformar o problema concreto em resquícios que se perdem ao vento. Tentativas que até funcionam, mas são infelizes (paradoxo)... É como se quisesse suprimir o ERRO – que é essencialmente uma forma de autoconhecimento – a fim de suprimir a angústia que vem no formato de conseqüência. Na verdade, não há como suprimir um erro, é possível apenas ignorá-lo ou buscar subterfúgios para esquecê-lo.
A queda leva à vontade de retomar a inocência perdida. Bobagem. A busca de algo, que uma vez perdido não tem volta, acaba por levar o indivíduo a negar a si mesmo.
Neguei a mim mesma quando deixei de lado filmes, livros, músicas, emoções, sensações, sentimentos e tudo aquilo que me fazia vibrar e sentir a profundidade dos meus ímpetos. Tu negas aquilo que faz com que sintas a intensidade contida em ti para tornar banais os sentimentos. Sentimentos banais não possuem poder destrutivo, tampouco pessoas banais são capazes de usufruir a beleza que existe na dor que vale à pena ser sentida. Aí tu dizes:
- Melhor é não sentir dor.
Respondo-te:
- Se tu não és capaz de sentir a dor legítima, atingirás, no máximo, uma alegria vulgar, porque sem o ponto não há contraponto.

Estou preparada para assumir novamente tudo aquilo que me faz sentir viva: sem medo, mas com escrúpulos.

Um comentário:

  1. Funcionou como aprendizado acho. Não se pode negar a si mesmo. Pq no final quando te negarem, o que sobra pra ti? um tempo perdido, que era também para ser seu. Então é isso, aproveite e erre sem medo, mas aproveite tbm a si mesma.

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