terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Cotas: à favor ou contra ? O que importa é que haja bom-senso.

Inscrição no CV (Centro de Vivência), na UFRGS (foto por Gabriela, por isso um tanto descentralizada)

Até hoje pergunto-me quem poderia ter feito tal inscrição. Uma ironia ? Um protesto ? Uma brincadeira de mau-gosto ? O que significa isso ?

Após muitos debates fervorosos, houve a decisão à favor das cotas raciais e para alunos oriundos da rede pública de ensino. Isso todo mundo já sabe, todo mundo debate à torto e à direito essa questão, mas quem, de fato, discute esse tema com propriedade ? Qual é a informação que os adeptos às cotas e os não-adeptos têm realmente ?
Quando a possibilidade de ingresso à Universidade através de cotas surgiu, muitas pessoas revoltaram-se violentamente, inclusive eu. Hoje em dia penso diferente e vejo a decisão pelas cotas com um olhar mais ameno. Ora, é lamentável que o governo assuma ações "populistas" e use a educação para fazer marketing, deixando a qualidade do ensino à margem dos belos números que crescem para o deleite da ONU. Analfabestismo em fase de extinção, ingresso cada vez mais elevado no ensino fundamental e médio, mas e a qualidade ? Será que a proporção qualitativa cresce na mesma proporção quantitativa ? A educação pública de base, no Brasil, chega a ser uma piada, principalmente nas regiões de grande exclusão social.
OK! O governo não está, realmente, preocupado em reformar a educação, afinal, isso leva muito tempo e é mais fácil, obviamente, usar paliativos como o PROUNI e o sistema de cotas nas universidades federais, como meio de tapar o buraco que está lá na base. No entanto, é preciso que se analise o outro lado da moeda.
Todo o cidadão, seja ele da classe que for, paga imposto bem alto na alimentação básica, por exemplo. Todo aquele cidadão que contribui para /com o país tem o direito de usufruir do patrimônio público, assim como a universidade. Então, as pessoas que vêm de um ensino básico deficitário devem contentar-se com empregos subalternos e com a impossibilidade de cursar uma graduação, por exemplo ?
Quem nos dera houvesse um governo que se preocupasse em plantar boas sementes para que os frutos fossem belos e produtivos, mas para quê ? Um mandato dura 4 anos, no máximo 8. Portanto, é interessante pensar que pessoas que jamais ousariam fazer um vestibular, hoje estão inscritas e, quem sabe, esperançosas em adentrar ao universo acadêmico, território que antes só poderia ser uma realidade das classes média e alta.
As correntes pró-cotas e contra-cotas já discutiram muito, muito ainda vai (e deve) ser discutido, mas enquanto as cotas são realidade, é importante que a sociedade e principalmente a comunidade acadêmica não tenha postura segregadora em relação aos cotistas, afinal, se eles estão nessa situação de exceção é porque o sistema caminhou para tal realidade. Bom-senso é imprescindível.
O vestibular aproxima-se... Boa sorte a todos (cotistas e não-cotistas), afinal, a universidade DEVERIA ser de todos.


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