sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Letras-UFRGS... Que tal ?

Todos nós somos preconceituosos. Em menor ou maior escala, não importa se hoje, ontem ou amanhã... no século XXXII a.C ou no século XXI d.C... Norte, Sul, Oriente e Ocidente... Alguns têm preconceitos tolos, banais...outros têm preconceitos que conduzem à prisão... Preconceito de raça, religião, opção sexual, naturalidade, idade (muita ou pouca)...preconceito de loura (e de morena e de ruiva, quer dizer, preconceito contra a mulher de forma geral), preconceito contra solteiros (e casados), preconceito contra os fiéis (e os traidores), preconceito de ter preconceito... Mas quero falar em especial de um preconceito: o preconceito que diz respeito à inteligência de alguém (ou melhor, a falta dela).
Absorvida pela necessidade de adentrar à Universidade, acabei optando pelo curso de Letras, ou curso dos pseudointelectuais como dizem por aí, ainda mais onde eu fui parar: a Letras da UFRGS... Bom, quanto aos pseudos, é uma semi-verdade. Semi-verdade porque não existe uma verdade absoluta, porque esse parecer não diz respeito a todos, mas a uma boa parcela... Docentes e discentes!
Mas, antes de continuar esse papo, direi meu conceito de pseudointelectual:

Pseu.do.in.te.le.ctu.al s.m. Aquele que faz questão de inserir em conversas banais autores como Machado de Assis, Dostoievski, Proust, Cervantes, a tríade Sartre-Simone-Camus, entre outros tantos... Alguém até disse lá na Letras "eu sou o Dr. mais jovem do Brasil". Será ? Deve ser... Mas como diria um professor que admiro muito "ser um gênio da Matemática ou da Física é até fácil de se conseguir aos 28, 30 e poucos anos, mas alguém das ciências humanas...". De fato, é coisa de pseudointelectual ter 30 anos e se achar maravilhoso por causa de um título. O pseudointelectual tem preconceito por quem não leu os autores citados acima, por exemplo... ou tem preconceito por aqueles que não conhecem os filmes da Nouvelle Vague francesa ou por aqueles que não tem em seu rol de músicas favoritas a Nona Sinfonia de Beethoven (que faz parte da trilha sonora de um dos filmes mais apreciados pelos pseudos: A Clockwork Orange - Laranja Mecânica). Bom, pseudo é isso e muito mais, mas com muito menos conteúdo do que eles tentam demonstrar. Alguns até têm seu charme, outros são insuportavelmente irritantes.

Muitos chatos intelectualóides, muitas pessoas legais também... professores inesquecíveis, aulas maravilhosas, algumas que dão sono (mas onde isso não existe?!)... Eu gosto do curso de Letras da UFRGS e, por favor, não nos chamem de pseudointelectuais: eles existem, mas nosso curso não merece tal generalização.

8 comentários:

  1. "ser um gênio da Matemática ou da Física é até fácil de se conseguir aos 28, 30 e poucos anos, mas alguém das ciências humanas..."

    Esse teu professor fez algo que o pessoal da Letras gosta: afirmar qualquer coisa aleatória sem base alguma. Pegando a lista de gênios de 1500 a 2000 do The Genius Hall, tu tens os seguintes carinhas (ao lado deles está a idade em que surgiram seus trabalhos mais influentes -- que nos levaram a reconhecer hoje sua genialidade):

    Humanas:

    Goethe - 25
    Dostoevsky - 25
    Shakespeare - 26
    Marx - 30
    Hegel - 37
    Freud - 39
    Victor Hugo - 51
    Kant - 57

    Exatas:

    Gauss -21
    Einstein - 26
    Leibniz - 36
    Tesla - 37
    Kepler - 38
    Planck - 42
    Newton - 44
    Galilei - 46
    Darwin - 50

    A média de idade do grupo das Humanas é 36, a do grupo das Exatas, 38.

    É claro que, ao contrário do tal professor, eu não acho que isso signifique coisa alguma. Até porque isso implicaria admitir que tu podes se tornar um gênio ao longo da vida. Até segunda ordem, penso que pouco disso é construído. Parece mais uma desculpa do professor por ainda não ter seu nome no The Genius Hall :-)

    Ah, isso mostra também que ele nunca deve ter passado o olho em algo de Gauss para ter uma idéia do que significa genialidade...

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  2. Quanto à generalização que diz que os alunos da Letras são pseudointelectuais, é verdade, ela é estúpida. Até porque a maioria deles nem a pseudo chega! :P

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  3. Ah, depois dos comentários antipáticos de costume, parabéns pelo blog, Gabi! =)

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  4. Manu, se não fossem comentários antipáticos, não seriam teus... Que bom que tu postaste, apesar de antipáticas, tuas contribuições têm valor, assim como todas as outras que tenho recebido.

    1. Tu pegaste nomes célebres, de gênios com G maiúsculo - G de Gabi :p - Bom, o que este professor quis dizer foi que, de modo geral (com pessoas "mais normais"), é mais fácil atingir uma suposta maturidade intelectual nas exatas, visto que o que é exato é exato :p Tá, tu está me entendendo, eu sei.

    2. Mais uma leva de pseudos chegará aos corredores da Letras, que sejam [ + Legais, - Estúpidos].

    3. Obrigada pelas felicitações. Obrigada pela contribuição. Volte sempre!

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  5. Gabi, dá para entender o que o tal professor quis dizer. Ainda assim isso não é verdade.

    Como quase todo mundo, ele não entende o que significa para uma ciência ser chamada de exata. "Exata", aí, não quer dizer "correta", "indubitável", "imutável", "estática", etc.

    Uma ciência é chamada de exata quando ela permite hipóteses precisas e métodos rigorosos de testagem dessas hipóteses; quando ela admite que se reproduzam experimentos de maneira rigorosa.

    Isso não quer dizer que tais ciências sejam "exatas" no sentido de que elas nunca vão mudar. Essa é a maior mentira do mundo. Ciência é ciência justamente porque é mutável. O fato de se permitir a existência de hipóteses precisas facilita o trabalho de quem quer mostrar que essas hipóteses estão erradas e substitui-las por hipóteses novas.

    É justamente por isso que não se chamam mais seriamente as "ciências exatas" de exatas; porque isso dá margem a uma série de mal-entendidos, como o do teu professor.

    Se tu pegar qualquer "ciência exata" (física, química, biologia, astronomia ou até a lingüística formal), tu vai ver que muito do que os téoricos de 50 anos atrás pensaram já foi completamente reformulado ou simplesmente falseado.

    Mas como isso é possível se "o que é exato é exato"?

    Ao contrário, se tu olhar para as ciências humanas, tu vai ver que há idéias que perduram por milênios. Talvez elas sejam vagas o suficiente para que não possam ser falseadas? É só uma pergunta, não uma afirmação.

    Agora, o que será que é mais fácil. Atingir a maturidade em uma área que possui dezenas de teorias alternativas (sendo que todas elas não podem ser "exatas" ao mesmo tempo), além de outras centenas que já foram falseadas, mas que são necessárias para se compreender as novas? Ou será que é mais fácil ostentar maturidade em uma área na qual as idéias de hoje são variações e releituras de idéias milenares?

    É imprudente demais responder a essa pergunta. Só mesmo um professor imaturo poderia tentar, porque ela não oferece elementos a uma resposta.

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  6. Na boa. Ou o cara está querendo se convencer de que ainda tem tempo, ou ele está simplesmente utilizando a estratégia baixíssima de tentar valorizar sua área por meio da depreciação das outras. Mas tudo bem, uma opção melhor é que ele simplesmente não saiba do que está falando - melhor e mais provável.

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  7. Não espere o pior das pessoas, Manu... Cuidado ao falar de alguém (de um "cara")que tu não teve o prazer e a honra de conhecer (e nem terá, visto que teu time é outro). Com certeza existem professores que usam a pesquisa por prazer do ofício e não para ter seus nomes nos autos e seus rostos nos holofotes.

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  8. Ter "os nomes nos autos e seus rostos nos holofotes" também pode ser fonte de prazer. Então, no fim das contas, todos fazem isso por prazer, por alguma forma de prazer...

    Mas, de qualquer forma, não é nada pessoal, Gabi. O cara pode ser a melhor pessoa do mundo, não duvido e não estou colocando a pessoa em dúvida. Só estou criticando o que ele disse (e isso eu conheço).

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