terça-feira, 28 de abril de 2009

Setembro passado

Sinto falta de sensações que não sei exatamente. Sinto falta da atmosfera fria e acolhedora, ilusão de liberdade, eu comigo mesma "perdida numa noite suja". A sujeira está nos homens, não nas ruas.
Este vazio é quase um afago. Quero caminhar naquela avenida novamente. Quero sentir o prazer da noite glacial que queima a alma, anseio pelo deleite das sutis distrações. Vontade de gritar e experimentar todas as sensações do mundo ao mesmo tempo.
Ah, o prazer hedonista...
O que desejo? O efêmero que fica eternamente impresso na memória: tenho alguns "efêmeros" na minha coleção.
Não preciso de fotos: os fatos falam por si só. Prefiro não ter fotos, só assim eu construo, a cada vez, uma mesma imagem diferente... Com um fundo musical, um sabor, um cheiro (e uso "cheiro" porque o conceito de "perfume" é demasiado restrito)
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a memória guarda todas as impressões, todos os sentimentos.


"Hay recuerdos que no voy a borrar
personas que no voy a olvidar
hay aromas que me quiero llevar
silencios que prefiero callar..."
(Fito Paez)

2 comentários:

  1. Rapidinho: detesto tirar fotos!!! Além de não me achar fotogênico, elas limitam minha memória a uma única imagem.

    Prefiro guardar na cachola as minhas fotos: assim lembro delas sempre de maneiras diferentes.

    Se o próprio tempo escolhe os vestígios históricos que nos legará, nós também podemos escolher como serão as nossas fotos, pois elas são, nada mais nada menos, que lembranças. (olha o historiador se fazendo presente!!!)

    Bj.

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  2. É sempre bom ter um historiador como leitor =) hehe... É bem por aí, Rodrigo... A memória é viva!

    Bj

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